Eu nunca fui bom em despedidas. Sempre que alguma se prenunciava, me preparava como se fosse uma ocasião solene, daquelas em que se planeja, elabora e treina uma fala seguida de gestos para adicionar mais dramatização ao ato. Mas na hora, puff!
Prefiro dizer que nunca me despedi de nada no sentido estrito da palavra, apenas as deixei em aberto, mudei o foco, joguei pro lado - como se joga um rascunho de um texto no fundo de uma gaveta que, num certo dia a revira, o encontra e se admira, como se não reconhecesse que aquelas frases tinham sido feitas por você. O que caracteriza o quanto estamos mudando diariamente a forma de pensar e de agir. Com a mudança altera-se tudo, inclusive as prioridades. Estas que se fazem necessárias, obrigando-nos a deixar as frivolidades de lado. - Não que eu fuja das despedidas, elas simplesmente se fazem tacitamente com o passar do tempo.
E é por essas e outras que não tenho atualizado o blog. Daí o assunto ruma para aquela velha mania inerente de todo ser humano de criar obrigações desnecessárias para si. De obrigação já estou cheio – não em quantidade, mas no sentido de aborrecimento, de saco cheio. Então o blog agora fica como um amigo, daqueles que se faz questão de visitar às vezes, só para ver como as coisas andam e sem apagar as lembranças - no caso do blog, o arquivo. Vez ou outra surgirá algum assunto que valha a pena ser comentado, discutido, elucubrado. Mas enquanto isso não acontece, deixo tudo o que foi dito nessas linhas personificado e sintetizado na simples despedida corriqueiramente descompromissada “até logo”.
